Conjugação (poem)
Conjugação
— Como se diz I love you?
— Eu te amo.
— Não. Como se diz sem voz?
Você não respondeu.
A resposta veio devagar:
no cobertor puxado sobre meus ombros,
na luz acesa para eu regressar,
no pão repartido entre os silêncios.
Amar era perceber a fome
antes que ela aprendesse a pedir;
era cuidar sem cobrar meu nome
por tudo o que escolhi repartir.
Era não chamar de proteção
o medo secreto de perder;
não fazer da palma de minha mão
o limite do seu florescer.
Conhecer você não era abrir
cada porta oculta do seu ser,
mas saber quando me aproximar
e quando apenas permanecer.
Havia dias em que o escuro
tomava a casa, o fruto e a manhã.
Era fácil condenar o futuro
por uma nódoa sobre a maçã.
Mas você retirava, com cuidado,
somente a parte entregue à ruína,
e punha à mesa o que havia restado:
a polpa clara, a doçura ainda viva.
Foi assim que aprendi o labor
que nenhuma chama pode substituir:
amar não é possuir a flor,
mas cuidar do chão e vê-la abrir.
Às vezes, amor era ficar
sem fazer da presença uma prisão.
Às vezes, era saber recuar
e não chamar de perda a libertação.
Amar também era reunir
dois inteiros em comunhão:
cada qual livre para existir,
mas juntos, uma só direção.
— Como se diz eu te amo?
Agora sei:
a boca pronuncia,
mas não traduz.
O amor se conjuga
naquilo que fazemos
para que o outro cresça
em direção à própria luz.
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Written on August 3, 2026.
This poem is inspired, in part, by Erich Fromm’s Art of Loving (1956).

